Séries

A série ESPAÇO PALAVRA aqui apresentada compõe-se de ficções construídas a partir de cenas do cotidiano e palavras da psicanálise.

Primeira Temporada – 15 episódios

Personagens da Primeira Temporada:

Ana – mãe

João – pai

Tomás – filho de 12 anos

Rui – filho de 05 anos

Amanda – filha recém-nascida

Tia Rosa – irmã de Ana

           Davi – 11 anos

           Henrique – 05 meses

Avó paterna

Professora do Rui

Olga – vizinha

             Ivan – seu filho de 10 meses

A cada mês, novo episódios!

Tomás segurou as lágrimas enquanto gritava com a mãe. Se chorasse, acreditava, ela iria pensar que o havia vencido.

Ele já estava sem o video game, sem o iPad, sem a TV e agora sem o celular!!! Quando pensava que iria ficar sem o WhatsApp, e não saberia dos planos para a resenha da sexta, gritava mais alto ainda.

“Era uma injustiça!” “Ele tinha estudado sim”. A professora é que marcava ele. E ainda, “todos os meus colegas tinham afundado na prova”.

Ninguém escutava ninguém…

A mãe estava arrasada pelo medo do filho tomar recuperação e, também, gritava e gritava que ele era um irresponsável.

A cena não é incomum no cotidiano de muitas famílias. Por um lado, o sufoco e sentimento de impotência da mãe frente ao fracasso do filho. Na tentativa de tirar dele as possíveis distrações que o impediam de estudar, ela tirava os laços que o ligavam ao mundo e despertava nele uma profunda solidão. Solidão de amigos, solidão de mãe e solidão de pai, que nunca estava presente.

O que fazer? Perguntavam a si mesmos.

E na impossibilidade de sentarem e ouvirem o que cada um tinha a dizer, saíram em direções opostas.

Hoje, os objetos da tecnologia irrompem na vida das crianças com todo seu poder de sedução. São objetos quase transicionais, que auxiliam no processo de se esquivar das frustrações inerentes ao crescer na vida. Sabemos que a criança tem que abandonar o princípio do prazer para conquistar o princípio da realidade, e, por vezes, expressa dificuldades em fazer tal passagem. Estudar é abrir mão da liberdade de um momento para ingressar no desejo de saber. Fica mais difícil quando elas se sentem distantes dos pais, os quais, também, estão em sofrimento pela recusa de suas proteções.

Se quiser saber mais, leia —

Fragmento do artigo A Adolescência em questão

Ana sempre pensou em ter três filhos. Mas agora com a chegada do terceiro, está tendo sentimentos que não tinham aparecido por ocasião dos outros dois. Depois de ter voltado do hospital há uma semana, ainda não se sentia à vontade com o bebê, Amanda. Olhava para ela e sentia um aperto profundo, uma vontade de chorar sem parar, uma vontade de sumir, uma tristeza que não entendia de onde vinha, porque, afinal, não era tudo o que queria: uma filha, depois de dois filhos meninos?!

Não tinha coragem de dizer o que pensava para ninguém, nem para o radiante marido, pois se culpava desses pensamentos estranhos e indignos de uma mãe. E veio a sensação de que nunca iria sair daquele estado, e que nunca iria gostar daquela criança. Estava confusa! Isso tudo era estranho, pois, de repente, vinha um amor enorme.

Não são muitos os que sabem que durante o pós-parto, em geral na primeira semana, é comum, na maioria das mulheres, um período de cansaço e depressão em que uma carga emotiva as inunda e são reatualizadas fantasias do inconsciente. Causa muita surpresa e desaponto, e como diz uma estudiosa do assunto, Myriam Szejer, é como se todos os armários que guardam as fantasias da história materna, que habitam o inconsciente, se abrissem simultaneamente.

É um momento importante de advento simbólico do recém-nascido que vai iniciar uma participação ativa no mundo, uma estruturante separação de sua mãe que nesse tempo está elaborando este processo.

Se quiser saber mais, leia — Fragmento do artigo Mães também choram

“O Rui é agitado demais! Não para quieto na sala de aula, levanta o tempo todo, não escuta as ordens que a professora dá… e agora começou a bater nos coleguinhas”.  Vocês “precisam tomar uma providência urgente”. As falas da coordenadora chegam até Ana como uma sentença. Saiu da escola após a reunião abatida, com profundo mal-estar. E pensava: Será possível que nos dias de hoje ainda rotulam alunos, sem tentar um olhar de respeito para eles? Será que não percebem que Rui está sofrendo com a discriminação que está recebendo porque não consegue acompanhar o ritmo dos colegas? E ficam querendo que o medique, para acalmá-lo, para sedá-lo… como se fosse a única solução. E os efeitos colaterais que os remédios causam, ninguém pensa nisso? João, cabisbaixo, caminhava junto a Ana. Estava revoltado: “Você viu o que a coordenadora soltou? Que os pais estão reclamando do Rui no WhatsApp da turma. Apelidaram ele de Pestinha!” Estou pasmo, nem acredito, parece surreal.” Diante de uma criança em dificuldades dessa natureza, a impotência desencadeada pela situação provoca muita angústia nos educadores e nos pais. Ávidos por uma resposta eficaz que dê resultado rápido, por vezes, caem na armadilha de precipitar diagnósticos, ou de procurar profissionais que os façam. É preciso um tempo – um tempo – para escutar o que a criança está dizendo com seus sintomas. E proporcionar-lhe uma efetiva ajuda ao sofrimento pelo qual está passando. Se quiser saber mais, leia — A hiperatividade da busca de um lugar
O silêncio transpirava na casa, mas, Ana e João acreditavam que as crianças nada percebiam. Quando chegou à escola, Rui, calado, diferente do agito de sempre, chama atenção da professora que lhe pergunta: -“O que houve Rui? Porque você está assim”? -“Minha avó vai ficar sem ar”. – “Sem ar?” -“Meus pais não sabem que eu ouvi eles conversando com tia Rita.” -“O que você ouviu?” – “Que eles vão tirar o ar da vovó”. Na intenção de poupar e proteger as crianças, os adultos evitam falar da morte para elas, e na verdade, para si mesmos. Não é um assunto fácil de tratar. E, quando proibido, gera desdobramentos imaginários, irreais, fantasiosos, deturpados, que vão em direção contrária da intenção de não causar sofrimento as crianças. A palavra é organizadora e permite construir recursos para lidar com a dor. Se quiser saber mais, leia — Como falar da morte com a criança?

Tati se sentia perdida no meio daquelas brigas que seus sempre os três alunos começavam do nada. Ela não entendia como começava, e, de repente, ia tomando um rumo horrível. Agora, olha lá, já estavam trucidando com Davi. Chamavam-no de elefante voador, de gordinho mórbido( onde tinha aprendido isso, meu Deus?!), e a cada vez que Davi saía fora, no dia seguinte , parece que descobriam mais assunto para tirá-lo do sério. Parecia um jogo, um desafio, com ganhador e perdedor.

O bullying não se constitui sempre da mesma forma. Tem particularidades, e lidar com ele é complexo, para todas as partes: educadores, pais, e as crianças – não só as que sofrem agressões, mas também as que agridem, e as que assistem de longe. Agressividade é algo que toca profundamente o ser humano e, essa vivência, por vezes, impede escutar o que está se passando e encontrar uma saída justa, respeitosa e coerente.

Se quiser saber mais, leia — Bullying

 

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