Bullying

Grandes e pequenos hoje em dia estão familiarizados com a palavra “bulling”. Todos se alarmam ao ouvi-la. Há uma disseminação do termo, mas vamos ver sua origem. Bullying vem do inglês, “bully”, que significa amedrontar, intimidar, ameaçar. No entanto, isso não é nenhuma novidade. Sempre ocorreu entre crianças e jovens, sobretudo na escola e nos grupos de amigos.

Podemos nos perguntar: “Isso agora está ocorrendo com mais frequência?”. Sim. E talvez tenha relação com o incentivo a uma competitividade agressiva, menos censura e falta de cuidado ao se expressar no ambiente social.

Em relação às crianças, sabemos que as mais jovens não têm ideia de que podem atingir o outro, nem sabem como fazer isso. Mesmo as crianças um pouco maiores, ainda são inconsequentes, na maior parte das vezes, por isso não têm noção do tanto que podem magoar o colega mesmo que seja de brincadeira.

Se elas não podem se responsabilizar pelos seus atos, é nosso papel (pais, família, escola, sociedade) ir mostrando a elas como agir nas relações humanas, na vida em grupo.

No entanto, nem tudo pode ser chamado de “bullying”. Certamente apelidos, brincadeiras de zoar, antipatias e disputas de lugar sempre aconteceram e vão continuar a acontecer. Mas precisamos estar atentos quando se trata de uma ofensa repetitiva, uma gozação que se espalha no grupo. Isso sim, podemos chamar de “bullying”. E como anda muito frequente sobretudo nas escolas, os pais têm receio que seus filhos sejam humilhados, excluídos, injustiçados.

É importante esclarecer que, no momento em que isso ocorre, a primeira coisa a fazer é acolher, ouvir e conversar com a criança. Vamos ouvir e analisar se é uma brincadeira ou é bullying. Esse é o momento de ensiná-la a se preparar para responder à gozação de forma não agressiva porém firme. É o momento de adverti-la a se dar conta de que uma gozação faz sofrer. Portanto, ela também não deve fazer isso com ninguém.

Já o verdadeiro “bullying” é quando essas zombarias se tornam repetitivas, intimidadoras, coercitivas, quando a criança ou o jovem é colocado no lugar de “bode expiatório” do grupo, quando se atribui a ela ou ele aquilo que há de estranho e não aceito no grupo.

Pais e professores vão precisar lidar com isso e se perguntar o porquê de tanta intolerância! E pasmem! Isso tem acontecido também por parte de adultos, quando se eles dirigem à criança ou ao jovem, que muitas vezes não consegue se defender da humilhação.  É grande a responsabilidade do adulto para com a criança e o jovem, pois é tomado como modelo.

Há situações na família ou fora dela em que crianças estão sendo tratadas dessa forma. Bullying de professores a alunos também ocorre: a chamada “marcação”. Bullying de pais em relação a colegas dos filhos, dos pais aos professores, indo de abaixo-assinados a críticas públicas nas redes sociais, etc.

Então, se intimidar e agredir for um comportamento corrente no adulto, por que a criança não iria repeti-lo em suas relações sociais? Não podemos deixar de refletir sobre isso e tentar evitar que aconteça!

Ensinar e coibir, sustentar um tempo de espera para compreender o que fato está acontecendo exige implicação e comprometimento do adulto com os mais jovens e entre si. É a escola mediando as relações entre os alunos, a família ensinando a árdua tarefa de viver em grupo de forma respeitosa e civilizada. Pois é daí que se origina o balizamento das relações humanas.

Há pouco tempo a mídia noticiou que um menino americano de 9 anos cometeu suicídio após contar aos colegas que era gay. Antes ele havia contado à mãe, que recebera a notícia da escolha sexual do filho de forma excessivamente “civilizada” e disse ao filho: “Eu continuo amando você”. Mas é bem inusitado que um menino de 9 anos já tenha feito uma escolha sexual a ponto de assumir “sou isso”. E que a mãe não lhe tenha proposto uma abertura a essa afirmação, como uma questão ainda a se confirmar no tempo.

Mesmo que as crianças tenham, sim, sexualidade, elas vão articulando a sexualidade e suas escolhas no decorrer da adolescência. E isso vale para heterossexuais e para homossexuais. Em alguns casos, uma ajuda profissional pode ser necessária, para abordar não o tipo de escolha, mas a angústia que acompanha o despertar de sua sexualidade. No caso desse menino, uma profunda angústia. E podemos constatar que uma intervenção teria sido fundamental.

BLOG ESPAÇO PALAVRA – Direitos Reservados

www.espacopalavra.blog.br
contato@espacopalavra.blog.br
@2017 Todos os direitos reservados. Administrado por Acesso Publicidade.