Adolescentes

A adolescência é um período delicado, que se mostra conturbado, mas não necessariamente patológico. Podemos chamar de “idade do desejo”, tempo da escolha sexual, do posicionamento em se tornar homem ou mulher. Convoca pais, professores e até o próprio adolescente a resolver situações conflituosas. E mesmo que sejam sem maior gravidade, tais situações não deixam de ser um ressoar de tambores.

Podemos pensar a adolescência como se fosse a travessia de um túnel, ao lado de uma verdadeira metamorfose, pois muitas coisas se modificam. Não só para o próprio adolescente, como também dele frente aos outros. Seu corpo se transforma, seus interesses mudam, assim como sua linguagem, que já não é mais a mesma da criança que foi.

Por outro lado, é também um período privilegiado de invenção e da criação de muitas coisas novas. Na verdade, um despertar. Mas só que o adolescente ainda não sabe como fazer com esse novo que surge assim de repente, sem pedir licença.

Tentando encontrar respostas para as dúvidas que os invadem, esses jovens são muitas vezes desrespeitosos e até provocativos. Além disso, extremamente críticos com o comportamento do outro, sobretudo dos familiares, nos quais apontam “defeitos” nunca antes tão valorizados (no mau sentido).

O grupo de amigos e colegas adquire maior relevância para o jovem, e isso deve, em primeiro lugar, ser respeitado mas dosado. E por não saber lidar com seus próprios novos achados, o adolescente acaba por surpreender aos outros e a si próprio.

Particularmente desafiador, quer que o adulto lhe proporcione autonomia, mas ao mesmo tempo reconhece que ainda precisa contar com a garantia da responsabilidade dos pais. Então, tudo é ainda muito contraditório nesse tempo. Assim, é desejável que os pais e os professores sejam firmes e coerentes.

No entanto, é preciso dizer que a adolescência é uma etapa da vida que começa e se conclui, e que o melhor remédio para acalmar um jovem é o tempo que passa.

Na abordagem do adulto com o adolescente será preciso, antes de tudo, saber distinguir a pessoa de seus atos. Nesse momento, o amor dos pais costuma ser vivido pelo filho não como uma afeição terna e protetora, mas como uma pressão sufocante.

Importa saber lidar com essas situações de forma calma, clara e compartilhada com o adolescente, sem responder impulsivamente, como eles costumam fazer. Nesses casos, é o adulto que “chama” a diferença: fixar limites, estabelecer combinados a serem respeitados. Mais do que, nunca o adolescente precisa disso. Saber proibir e sancionar é fundamental para o jovem. E vale lembrar que pai e mãe não são polícia, mas também não são amiguinhos.

Se tivéssemos que ressaltar uma palavra–chave nessa lida com o adolescente, seria “negociar”. Colocar limites não significa apenas proibir, mas saber negociar com o jovem. Poder relativizar e ter disponibilidade para escutar o (pouco) que ele tem a dizer, evitando comparações que poderiam humilhá-lo.

Enfim, a clínica com os adolescentes nos ensina que, nesse tempo, o conflito com os pais, com a escola, com a sociedade é a expressão necessária do trabalho de uma travessia. É o adulto que faz o contorno para que o adolescente possa fazer seu trabalho psíquico.

Trata-se aí principalmente de um trabalho interno, estruturante, no qual os pais de um adolescente também precisarão assumir duas perdas: a perda de sua criança, que agora está crescendo, e a perda da ilusão de um adolescente ideal.

 

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