A hiperatividade da busca de um lugar

Hoje em dia, estamos frente aos transtornos “da moda” no que se referem mais especificamente á chamada saúde mental da criança e do adolescente Discursos que não são da criança nem do jovem, são queixas das instituições sobretudo escolares, que, sob o pretexto do “ fazer o bem”, tem divulgado um discurso unificante sobre o “déficit de atenção, com ou sem hiperatividade”( TDAH). Crianças cada vez mais novas tem sido encaminhadas ao neurologista, onde, após novos procedimentos avaliativos de imagem, recebem medicação psicotrópica que a contenha, que a conforme à escola. Os adolescentes já trocam a medicação entre si “visando um melhor desempenho” escolar, ou seja, o remédio usado como estimulação e dopagem.

 O que se discute nesse artigo é o uso indiscriminado de tal medicação como controle de comportamento. Uma retórica é utilizada e propagada para dizer que de transtornos neurobiológicos de origem genética, o que de forma alguma está estabelecido porque não há provas concludentes que os confirmem. As bases neurológicas são apenas hipóteses que por enquanto não puderam ser confirmadas, pois não existe um biomarcador que demonstre que alguém tenha esses transtornos ditos cerebrais. Esse é um assunto que preocupa o psicanalista que sustenta a clínica com crianças e adolescentes. Medicado, a fala do sujeito não se faz escutar, o sujeito se apaga de ser ouvido sobre o seu sintoma.

Referência: “ O que será da atividade das crianças? “ Myssior, S.M e Machado, Z. : Revista de Psicanálise: Percurso, n. 41; Ano XXI: São Paulo, Instituto Sedes Sapientiae, dezembro, 2008.

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