A erotização precoce na Infância

A concepção de infância vem mudando. Estamos num tempo em que a criança está meio desprotegida do mundo adulto. Por que será que nós, adultos, estamos transformando as crianças em miniaturas de nós mesmos? Uma perda precoce da infância? Diante dessa tendência de adultização precoce e erotização das crianças nas sociedades modernas, quais seriam os danos?

As crianças aprendem com tudo que vivenciam, observam, escutam, e principalmente com os comportamentos que absorvem dos adultos. Elas brincam de ser adultos. Querem fazer como eles.

Mas isso é um faz de conta necessário e saudável. É uma interpretação lúdica desses papéis. A criança vai se apropriando de seu corpo, aprendendo a conhecê-lo desde pequenina. A sexualidade existe na criança, mas é percebida por ela de forma distinta de como um adolescente, ou de como um adulto vai poder lidar com isso.

Por isso, é fundamental que tenha clareza dos limites que existem entre o brincar e a realidade, do que pode ser compartilhado com o amigo e do que invade os limites do outro.

Não se deve confundir gestos de carinho, que são fundamentais para a afetividade da criança, com a erotização precoce na infância. Esse norte será dado sempre pelos adultos, por isso sua participação decisiva na condução de que criança precisa ser criança.

Outra coisa é o adulto permitir o contato das crianças com conteúdos inapropriados. Mesmo que isso possa parecer inofensivo, por exemplo, estimular que dancem e cantem utilizando gestos impróprios, perguntar-lhes sobre namoros e beijos, ficar falando de namoradinhos, corpos perfeitos, deixar que se vistam como gente grande, enfim, atitudes que estimulem uma sensualidade para a qual elas ainda não estão preparadas.

Observa-se a erotização dos corpos infantis. A sexualidade é inata, é do humano. Mas é experimentada de maneiras diversas e de acordo com o tempo em que estamos nos constituindo. Já a erotização é precoce quando acontece antes do tempo em que a criança estaria apta para aquele estímulo.

Essa sexualização precoce não chega de forma natural. Acontece de fora, não é um processo específico que vem da criança, mas uma manobra: um olhar, uma fala, um toque, uma gracinha do adulto que lança à criança atributos de sensualidade do adulto, ou mesmo uma conversa com a criança como se ela fosse adulta. Muitas crianças, por negligência parental ou ignorância, estão sendo precocemente sexualizadas.

Pais e educadores precisam estar atentos às redes sociais, aos smartphones, aos filmes publicitários, para que a criança não seja apresentadas a cenas de sexo explícito na TV, e nem mesmo ao acúmulo de informações que não se transformam em conhecimento. Além de não entender completamente do que se trata, ela ainda não tem maturidade para elaborar o que vê.

Uma criança que não tem orientação sobre sexualidade e entra na internet sem a devida orientação dos pais, vai lidar com sites, propostas e imagens indevidas. Por causa da sua curiosidade, pode se tornar uma presa fácil sem saber o tamanho do risco que está correndo. Não há problema nenhum em dizer à criança que ela ainda não tem condições de entender.

Quais os danos dessa adultização precoce e da erotização das crianças?

Não se deve pular etapas. Quando a criança é invadida por uma gama de sentimentos e fantasias, isso pode gerar desde uma hiperexcitação, que provoca ansiedade, até o medo em relação ao sexual, por achar que se trata de algo violento e agressivo. Esses sentimentos e essas fantasias podem trazer interpretações equivocadas, o que pode ser perigoso, deixar marcas importantes, trazer danos à vida futura.

Crianças não são pequenos adultos. É preciso garantir espaços que respeitem os tempo das crianças para brincar, interrogar, aprender, expressar, desde que estejamos atentos ao que está ao seu redor.

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